Estou lendo um livro que chama 'Previsivelmente Irracional'. Achei que ia ser bem blá-blá-blá, mas até que tem muitas coisas interessantes. Ele fala sobre como as escolhas que nós fazemos achando que somos super racionais são tombadas pra um lado e a gente não percebe - e o tombo é sempre para o mesmo lado.
A primeira coisa que ele fala é que nossas decisões são sempre comparativas. Eu não sei o quanto custa um apartamento de quatro quartos em determinada cidade, mas com certeza tem que custar mais do que um de três. Os anúncios às vezes têm uma opção que é obviamente pior, logo as outras parecem melhores em comparação.
Ele também fala que o preço percebido de determinada mercadoria tem muitíssimo a ver com a propaganda que é feita e com o preço pelo qual a mercadoria é vendida. O capítulo se chama 'A falácia da oferta e da procura', porque ele comenta que, ao contrário do que se espera na economia clássica, a oferta e a procura não são duas coisas distintas e independentes; a procura depende muito da oferta. Isso implica que a 'mão invisível do mercado' não é tãaaao infalível assim? Isso é um argumento a favor do estado não-mínimo?
Outra coisa que ele fala é sobre as normas sociais - em alguns casos, estamos mais dispostos a trabalhar/ajudar alguém se é um pedido social (seu vizinho lhe pede que ajude a empurrar o sofá) do que se recebemos pagamento por isso. E as empresas usam muito isso; estão cada vez mais cobrando que 'vistamos a camisa', que façamos as coisas pela empresa, pelas pessoas que trabalham conosco, e não pelo salário que recebemos. O problema é que a relação tem que ser 'social' dos dois lados - se damos sangue pela empresa porque achamos que 'fazemos parte' e tudo o mais, a empresa também tem que ser 'social' e tomar conta do empregado quando ele fica doente, ou em uma crise. Quando isso não acontece, é uma punhalada nas costas.
E foi isso que aconteceu na semana passada. Eu tinha um contrato social com o meu ex-chefe e não tinha percebido. Eu dava sangue, fazia as coisas em cima da hora e parava tudo que eu estava fazendo por um favor pessoal a ele. Quando ele não foi na minha festa de promoção, o contrato social foi quebrado, e eu me senti apunhalada pelas costas. Agora continuo fazendo tudo que ele manda, porque ele é meu chefe e é meu trabalho. Mas é como se qualquer pessoa estivesse pedindo. Agora nossa relação voltou a ser previsivelmente racional.
Ah! E recomendo o livro, que é bem bacana. É do Dan Ariely.
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Antigamente eu gostava mais de política; passei um tempo sem acompanhar, e hoje estou pensando em voltar. Porque conheço gente que falou mais de uma vez "se a Dilma ganhar, me mudo pras Maldivas" (o problema não é a orientação política, é a falta de noção da frase, fosse o Serra, fosse a Marina). Porque tenho amigos fazendo campanha pro Tiririca ("pior que está, não fica"). Porque tem muita gente que, independente do partido, não leva a sério o processo eleitoral. Mas não descobri ainda o que dá pra fazer com essas pessoas sem noção; infelizmente, sacudi-las até que criem noção não é uma opção viável =)
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Tou indo ali em Fortaleza pro feriado, mas já volto! =)
Um comentário:
Me empreeeeeeeeesta esse seu livro?? Pretty please, with sugar on top? ;)
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